segunda-feira, 21 de março de 2011

Corrida Maluca


Hoje em dia as pessoas são estimuladas a correrem com tudo na vida. Há uma pressa já consagrada, embora nem sempre se saiba explicar. Se todos correm, mesmo não sabendo pra onde, o negócio é aderir e fingir que se tem consciência de todas as implicações.

Como um isso estaria atingindo nosso Movimento Estudantil? De um modo geral, será que podemos considerar quais seriam as tendências e urgências de um abuense?

Não podemos ignorar as diversas realidades que nos cercam e nos pressionam.
Há famílias que padecem de auxílio para o básico, há outras que jogam o peso de altíssimas expectativas em seus filhos e projetam ser eles(as) o salvadores da pátria; há famílias que se desintegram por dentro e por fora respingando conflitos sérios em vários jovens; há o desemprego e toda instabilidade financeira que afeta diretamente os estudantes, seu desempenho e possibilidades; há aqueles estudantes que estão em profunda crise com seu curso, ou, com a carreira que desejam seguir; há aqueles que sentem-se inseguros pelo excesso de oportunidades que começam a surgir; há outros que sofrem por se acharem inadequados diante da pressão por determinadas condutas e posturas num ambiente de extrema competitividade; e outros que se martirizam tentando satisfazer exigências de todos os tipos e de todas as pessoas.

Na ABUB temos tido a alegria de ver gente muito comprometida com o evangelho, apaixonada pela missão de fazer Cristo conhecido, de fazer discípulos de Jesus, de estudar e vivenciar a Bíblia em seu cotidiano, gente disposta a enfrentar os desafios atuais e corajosa para encarar as demandas de cada dia. Mas também temos encontrado gente com crises profundas que vai desanimando pelo caminho, abandonando os princípios e ensinos que se encontram no caminho estreito, e se deixando levar pelos atrativos ilusórios dos atalhos, um caminho largo que conduz à morte.

O que tem seduzido a tantos para os desvios? A ausência da oração, o esfriamento do amor que se dá por uma distância cultivada, a acomodação ante as necessidades de mudanças, negligências com a leitura bíblica, desatenção à voz de Deus, indiferença diante das necessidades do grupo, etc, vão fazendo outras coisas ficarem mais interessantes, brilhos artificiais começam a nos encantar e alternativas mascaradas parecem ser o mais adequado.

Pode-se observar que muito do que se faz, do que se corre atrás hoje em dia é da tal felicidade. Porém, pouca mobilização há quando se trata do bem do próximo, um esforço coletivo em prol do melhor para a comunidade.

A apatia ao que se refere ao coletivo pode se inserir em um contexto muito mais amplo e de longa duração – um narcisismo reinante.

Quando já não consigo renunciar a mim mesmo, aos apetites da carne, quando quero distância da cruz, quando o outro com facilidade torna-se um mero obstáculo, e os meus desejos tem que ser satisfeitos a qualquer preço, então, eu já caí na cilada do meu próprio senhorio narcisista, e fui convertido à corrida maluca por uma felicidade falsa. Afinal, como dizia João Calvino: “A suprema felicidade nossa e o escopo de nossa vida consiste em conhecer a Deus”.

Jesus aos seus ensina: “O Reino dos céus é como um tesouro escondido num campo. Certo homem, tendo-o encontrado, escondeu-o de novo e, então, cheio de alegria, foi, vendeu tudo o que tinha e comprou aquele campo” (Mt 13.44).
Que a alegria do Reino dos céus seja encontrada, que nada tenha maior valor do que ser encontrado em Cristo, e que conhecê-lo mais a cada dia seja razão de uma celebração constante.

Tais Machado, ex-secretária de capacitação da ABUB.

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